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Juro bancário sobe mesmo com queda da Selic


Brasília, 27 de Abril de 2004 - Alta é a primeira desde que o Banco Central iniciou sua política de afrouxamento monetário, em meados de 2003. Estatísticas divulgadas ontem pelo Banco Central sinalizam que começa a perder vigor o ciclo de retomada do crédito bancário que vinha sendo observado desde meados de 2003, no início do a-frouxamento monetário.

Pela primeira vez desde março de 2003, subiram os juros cobrados pelos bancos nas operações de crédito com recursos livres. A taxa média passou de 45,1% para 45,3% anuais entre fevereiro e março passados.

O volume total de crédito permaneceu estagnado em 25,9% do Produto Interno Bruto (PIB) desde o início do ano, quando o BC promoveu uma parada temporária na redução do juro básico.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, destaca alguns pontos positivos no volume de concessões , como a forte expansão do crédito pessoal e do cheque especial, e sustenta que a alta de juros em março foi pontual, puxada pelo encarecimento dos empréstimos a empresas.

Mas a comparação entre o desempenho do mercado de crédito em fins de 2003 e início de 2004 mostra que o programa de redução de juros e "spread" bancário do BC vem obtendo resultados cada vez mais modestos.

O fato mais marcante em março foi a elevação dos juros médios cobrados pelos bancos. Esse encarecimento se deve exclusivamente à elevação das taxas cobradas das empresas - que passaram de 30,2% para 30,4% anuais entre fevereiro e março.

Lopes explica que essa alta se deve à revisão para cima das previsões para a taxa de câmbio, que elevou as taxas dos empréstimos vinculados ao dólar.

De fato, houve recuo nas taxas cobradas das pessoas físicas em março, passando de 62,2% para 64% anuais. Mas o movimento de baixa, bem menos representativo do que nos meses anteriores, deve-se apenas ao recuo no custo de captação. No mês, o "spread" bancário das pessoas físicas manteve-se estacionado, pela primeira vez desde maio de 2003, em 48,6 pontos percentuais.

O BC lançou seu programa de redução dos juros e "spread" bancário em 1999, com o objetivo de reduzir os custos aos tomadores finais e ampliar o volume de crédito em relação ao PIB. Os melhores resultados foram obtidos em 2000, quando a economia ensaiava a retomada da atividade e o País vivia um pequeno "boom" de crédito.

De lá para cá, com as sucessivas crises, que levaram ao aumento do juro básico, o crédito voltou a se encarecer. "A alta volatilidade aumentou o custo dos empréstimos", afirmou Lopes. As taxas só começaram a retornar aos níveis normais a partir do meio de 2003, quando o BC retomou o afrouxamento monetário.

Os juros de algumas das modalidades de crédito começam a se aproximar dos valores mais baixos da história recente. A taxa média do cheque especial, por exemplo, recuou de 142,9% para 142% anuais entre fevereiro e março, a mais baixa desde maio de 2001. O espaço para novas quedas é reduzido, já que o menor valor registrado pelo BC, em dezembro de 1999, foi 138,8% anuais.

As quedas dos juros dos empréstimos pessoais, segmento mais dinâmico do mercado, perderam força em março. A taxa média passou de 76,6% para 76,5% anuais. No mês anterior, o recuo havia sido de 2,5 pontos percentuais. O valor mais baixo foi 67,3% anuais, em janeiro de 2001.

Quando os volumes são medidos em reais, observa-se expansão apenas no crédito a pessoas físicas. Em março, o estoque de crédito às famílias cresceu 2,6%. O destaque foi o cheque especial, com aumento de 5,2%. Pela avaliação do BC, o dinheiro teria ido principalmente para o pagamento de tributos, já que é elevada a concentração de vencimentos no início do ano.

O crédito pessoal segue em alta, com expansão de 3,7%, puxado pelo empréstimo com desconto em folha. Pesquisa feita pelo BC com instituições que representam 60% do crédito no segmento mostra uma elevação de 11% nesses empréstimos em março. Em fevereiro e março, a expansão atinge 18%.

©Investnews



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